Introdução
Miqueias 6.9-16
9 - A voz
do Senhor clama à cidade e o que é sábio verá o teu nome. Ouvi a vara, e quem a
ordenou. 10 - Ainda há na casa do ímpio tesouros da impiedade, e medida
escassa, que é detestável? 11 - Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma
bolsa de pesos enganosos? 12 - Porque os seus ricos estão cheios de violência,
e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca. 13 -
Assim eu também te enfraquecerei, ferindo-te e assolando-te por causa dos teus
pecados. 14 - Tu comerás, mas não te fartarás, e a tua humilhação estará no
meio de ti; removerás os teus bens mas não livrarás; e aquilo que livrares, eu
o entregarei à espada. 15 - Tu semearás, mas não segarás; pisarás a azeitona,
mas não te ungirás com azeite; e pisarás o mosto, mas não beberás vinho. 16 -
Porque se observam os estatutos de Onri, e toda a obra da casa de Acabe, e
andais nos conselhos deles; para que eu te faça uma desolação, e dos seus
habitantes um assobio; assim trareis sobre vós o opróbrio do meu povo.
Neste texto,
Deus cita Israel para responder por suas ações. As provas do processo são os “tesouros
da impiedade” (10), isto é, as riquezas que foram conquistadas por meios
injustos.
A iniquidade
específica que Deus aponta como a fonte da riqueza dos ímpios é a “medida
escassa” ou “efa minguado” (ARA), ou seja, no comércio, os ímpios fraudavam as
balanças para parecer que estavam entregando o que foi contratado, quando na
verdade estavam entregando menos. Assim, eles recebiam o preço cheio de um quilo
de trigo, por exemplo, mas entregavam apenas novecentos gramas.
A riqueza
destes ricos, portanto, era baseada na violência e na mentira (12), não no
trabalho. Eles se escondiam atrás de uma aparência de justiça e usavam a força do
estado para impor o silêncio às suas vítimas.
Porque a
riqueza estava sendo acumulada através da fraude e da corrupção e não do
trabalho, Deus faria com que o trabalho também perdesse o valor e não desse os
seus frutos (14, 15).
Essas
práticas se tornaram hábito, o hábito se tornou costume, o costume se tornou
tradição, a tradição se tornou cultura. Os pais fundadores da violência e da
mentira como método de se fazer política em Israel foram Onri e Acabe (16).
Isto já era corrente nas demais nações. Onri e Acabe institucionalizaram a
adoração a Baal e, por conseguinte, a forma pagã de se exercer poder. Com o
tempo, não só os sucessores de Acabe, mas a própria nação, aprenderam a não apenas
conviver com isso, mas viver assim.
Aplicação
Qual a
aplicação disto? Em toda sociedade em que a melhor forma de prosperar não é o
trabalho, mas a mentira e a violência, o trabalho será cada vez menos
interessante e mais infrutífero. Isto porque aquela sociedade está fazendo duas
coisas: i- estimulando a preguiça ao premiar os que não trabalharam, antes
enganaram; ii- desestimulando o trabalho ao punir com força judicial aqueles
que, de fato, trabalharam e produziram a riqueza.
Em algum
momento, o preço disso será o fim da prosperidade. Quando as pessoas percebem
que o fruto de seu trabalho está sendo tirado delas e dado a quem não
trabalhou, mas enganou, elas param de trabalhar e começam a enganar. Sem trabalho
duro e esforço, sem frutos, sem produção, sem riqueza, sem prosperidade.
É o que
sempre acontece em sociedades que estimulam a preguiça e a vagabundagem. E é um
juízo de Deus sobre aquela sociedade, porque ela está usando um método de poder
político pagão e maligno.
A
alternativa seria um método de poder político cristão e bíblico, que honra a
honestidade, o trabalho duro, e pune o engano e a fraude.
Existem
várias maneiras de fraudar no comércio. É possível usar uma balança que
falsifica as quantidades – como ocorreu em Israel. Porém, também é possível
fazer isso de várias outras maneiras. Criando impostos abusivos, imprimindo
dinheiro e aumentando a inflação, criando um sistema judicial caro e lento,
para que o custo da justiça seja tão alto que as pessoas prefiram o preço da
injustiça, criando regras que favorecem grupos de interesse específicos, ou
desfavorecem certos membros de grupos de interesse específicos.
Qual método você acredita que está sendo praticado no Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.
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