Cremos

Confissão de Fé

Prefácio

Credos e confissões de fé são um instrumento muito eficiente que a igreja de Cristo tem usado ao longo de sua história para (i) ensinar ao povo de Deus a doutrina dos apóstolos revelada nas Escrituras, (ii) demonstrar sua conformidade com essa doutrina, (iii) se proteger de falsos ensinos e mestres e (iv) promover a unidade do corpo de Cristo. 

Esta confissão é uma pequena exposição de proposições sucintas da fé cristã. Essas proposições não substituem as palavras das Escrituras. No entanto, elas são úteis para condensar em uma sentença o ensino de diversas passagens bíblicas e definir pontos importantes da fé.

Ao lado de cada proposição está uma referência bíblica, às vezes mais de uma, que ilustra o que diz a confissão. Em vários casos, muitas outras referências bíblicas poderiam ser inseridas, mas seria algo além do escopo da confissão, cuja natureza é eminentemente resumida. 

1. A Revelação

  1. Podemos conhecer a Deus na medida em que Ele revelou a si mesmo (Mt 11.27).

  2. Deus se revelou a todos os homens por meio das coisas criadas (Rm 1.19,20), por meio dos profetas, por meio de Seu Filho (Hb 1.1) e das Escrituras Sagradas (2Tm 3.16).

  3. As Escrituras Sagradas são inspiradas por Deus (2Tm 3.16), não são passíveis de erro (Jo 10.35) e revelam a vontade de Deus para obediência de todos (Mt 28.19,20). 

  4. As Escrituras não são de particular interpretação e devem ser interpretadas por si mesmas (2Pe 1.20).

  5. O cânon das Escrituras foi determinado pela providência divina, de acordo com os critérios revelados por Cristo (Mt 5.17,18; Jo 14.26; 16.13; 17.20), sendo composto daqueles livros que sempre foram aceitos pela igreja de Cristo.

  6. O cânon é composto dos trinta e nove livros do Antigo Testamento e vinte e sete do Novo Testamento, e está fechado desde a morte do último apóstolo (Ef 2.20; 1Co 3.11; Gl 1.8).

  7. Os livros comumente conhecidos como deuterocanônicos não são inspirados como os livros das Escrituras e não podem ser usados para estabelecer doutrinas, mas podem ser úteis para ilustração, para edificação e para investigação histórica.

  8. Os três credos ecumênicos, o Credo Apostólico, o Niceno-Constantinopolitano e o Atanasiano são exposições fieis da doutrina ensinada nas Escrituras.

2. A Divindade

  1. Existe um único Deus (Hb 11.6), o Criador de todas as coisas (Gn 1.1), que é espírito (Jo 4.24), eterno (Sl 90.2), imutável (Tg 1.17), onipotente (Gn 17.1), onisciente (Sl 147.5), onipresente (Jr 23.24), bom (Sl 145.9) e justo (Dt 32.4) para com todas as suas criaturas. 

  2. O Deus único existe eternamente em três pessoas (Mt 28.19), o Pai (Ef 4.6), o Filho (Jo 1.1) e o Espírito Santo (At 5.3,4). 

3. O Cristo

  1. Jesus é o Filho de Deus que se fez carne (Jo 1.14), Ele é verdadeiro Deus (Tt 2.13) e verdadeiro Homem (Hb 2.14). 

  2. Sendo Deus, Ele existe eternamente, não foi criado, e nunca houve um tempo em que Ele não existiu (Jo 1.1-3; Cl 1.17). 

  3. Sendo Homem, Ele é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). 

  4. Ele nasceu da Virgem Maria (Lc 1.27). 

  5. A sua concepção foi por obra do Espírito Santo (Lc 1.35). 

  6. Ele não tinha pecado de nenhum tipo (Hb 4.15).

  7. Ele cumpriu as profecias do Antigo Testamento a respeito do Cristo (1Co 15.3,4). 

  8. Ele padeceu sob Pôncio Pilatos (Mt 27.26), morreu (Mt 27.50), foi sepultado (Mt 27.59) e ressuscitou ao terceiro dia (Mt 28.6), subiu ao céu e está sentado à direita de Deus Pai (Mc 16.19).

  9. A morte de Cristo foi o sacrifício que Ele ofereceu em nosso lugar (Is 53.5; 1Pe 2.24) e a nosso favor (Jo 3.16; 2Co 5.21). 

  10. Por meio desse sacrifício Jesus fez propiciação pelos pecados do mundo todo (1Jo 2.2). 

  11. Ele adquiriu a redenção, a salvação, a vida eterna, o perdão dos pecados, e todo o bem, para o mundo todo (Ef 1.7; Rm 5.19; 6.23; 1Co 1.30; Rm 7.18 e Jo 15.5).

  12. Jesus é o nosso Profeta, pois Ele nos revela a verdade de Deus (Jo 1.18).

  13. Ele é o nosso Sacerdote, pois Ele é quem remove os nossos pecados e nos reconcilia com Deus (Hb 7.24,25).

  14. E Ele é o nosso Rei, pois tem todo o poder nos céus e na terra (Mt 28.18). 

4. O Espírito Santo

  1. O Espírito Santo é Deus (1Co 6.19). 

  2. É Pessoa (Ef 4.30).

  3. Ele procede do Pai e do Filho (Rm 8.9). 

  4. Ele aplica a redenção adquirida por Cristo, chamando, concedendo fé, arrependimento, regeneração e santificação (Jo 16.8; Tt 3.5,6; 1Pe 1.2). 

  5. Ele faz, dos crentes, membros da igreja (1Co 12.13). 

  6. Ele governa a igreja (At 20.28) e a vida dos crentes (Rm 8.14).

  7. Ele vocaciona para o ministério (At 13.2-4). 

  8. Ele distribui dons espirituais (1Co 12.4s).

5. A Criação e a Providência

  1. Deus criou todas as coisas (Is 45.12). 

  2. Ele as criou boas (Gn 1.31). 

  3. Toda a criação foi feita para a glória de Deus (Rm 11.36) e para o bem do homem (Sl 115.16; At 14.17). 

  4. Deus preserva todas as coisas (Ne 9.6; At 17.28).

  5. Nada acontece sem a vontade de Deus, seja querendo, seja permitindo (Mt 10.29,30; Tg 4.13-15). 

6. A Queda

  1. O pecado e o mal entraram no mundo por meio da desobediência livre e voluntária do homem a uma ordem dada por Deus, quando o Diabo tentou Eva e ela e seu marido caíram (Rm 5.12; Gn 3.1-6). 

  2. Desde essa queda, todo homem que nasce por meios naturais está contaminado pelo pecado de Adão, sujeito à morte e a diversos males (Gn 3.16-24), e é incapaz de fazer qualquer coisa genuinamente boa, inclusive ter fé e se converter (Rm 8.7,8), sem a intervenção graciosa de Deus, por Seu Filho Jesus Cristo e por Seu Espírito Santo (Jo 15.5).

  3. O pecado é a transgressão da lei de Deus (1Jo 3.4). 

  4. Ele existe no homem como pecado original e como pecado atual. 

  5. Pecado atual é a prática de qualquer transgressão (Tg 1.14,15; 1Jo 3.4). 

  6. Pecado original é a contaminação do homem pelo pecado de Adão, que o torna culpado, passível de condenação e morte e inclinado pela cobiça à prática de todo tipo de mal (Rm 5.12-19; Ef 2.1-3).

7. A Salvação

  1. Pecadores só podem ser salvos em virtude do sacrifício de Cristo por todos (Rm 6.23) e mediante o convencimento do Espírito Santo que opera neles para que se convertam de seus pecados e tenham fé em Jesus Cristo (Jo 16.8). 

  2. O Espírito Santo pode ser resistido (At 7.51). Os que não resistem ao Espírito, são convertidos por Ele e recebem o dom do arrependimento e da fé (2Tm 2.25). São justificados pela fé, o que significa dizer que são perdoados de todos os pecados e considerados justos diante de Deus, não pelo mérito de qualquer obra que tenham feito, mas por causa da fé em Cristo (Rm 3.28; 5.1). São regenerados, o que significa dizer que recebem de Deus uma nova vida espiritual que os habilita a fazer boas obras (Ef 2.10). E são santificados, o que significa dizer que são ensinados e transformados pelo Espírito Santo para amar a Deus e ao próximo como manda a lei de Deus (2Ts 2.13; 1Jo 4.7,8).

  3. O homem assim salvo ainda pode, por sua própria falta, resistir à ação continuada do Espírito e abandonar a fé que lhe foi dada (1Co 10.12). E se isso ocorrer, ainda pode ser restaurado se voltar a se arrepender e crer em Cristo (Tg 5.19,20).

8. Os Meios da Graça

  1. O Espírito Santo usa meios para operar a salvação do pecador. Os meios ordinários que Ele usa são a palavra de Deus escrita, pregada ou transmitida através de sacramentos, quais sejam, o batismo e a ceia do Senhor (Rm 10.17; 1Pe 1.23).

  2. Ninguém obtém qualquer benefício dos meios da graça exceto pela fé em Cristo.

Batismo

  1. O batismo é a aplicação de água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, conforme a palavra do Senhor Jesus (Mt 28.19). 

  2. No batismo,  recebemos a remissão e a purificação dos pecados e habitação do Espírito Santo (At 2.38) e, pela operação do Espírito Santo (Jo 3.5) e pela palavra do Senhor ligada à água (Ef 5.25,26), recebemos a regeneração (Tt 3.5), a união com Cristo (Rm 6.3,4) e nos tornamos membros de sua igreja (1Co 12.13).

  3. Podem ser batizados os que creem em Cristo de todo coração (At 8.36,37; Mc 16.16). Isso inclui os filhos de crentes (At 2.39; 1Co 7.14).

Ceia do Senhor

  1. A Ceia do Senhor é o ritual em que, por meio dos elementos, pão e cálice, Cristo nos dá de si mesmo (Mt 26.26-28). 

  2. Na ceia do Senhor, recebemos perdão de pecados (Mt 26.28), comunhão com Cristo (Jo 6.53-56) e, por meio dEle, com a igreja (1Co 10.16,17). 

  3. Todos os crentes devem receber os dois elementos (Mt 26.27). 

  4. As Escrituras descrevem o conteúdo do cálice como fruto da vide (Mt 26.29) e, portanto, não há exigência de que seja vinho fermentado.

Absolvição

  1. A confissão de pecados uns aos outros é um meio de receber perdão de pecados e até a cura de enfermidades, quando esta for a vontade de Deus (Sl 32.3-5; Tg 5.16). 

  2. A boa ordem e o bom senso pedem que, em situações ordinárias, a confissão seja feita ao ministro ordenado pela igreja e apontado para isso (Tg 5.14-16). 

  3. O ministro, exercendo o poder das chaves, pode ministrar o perdão ao pecador arrependido, ou a retenção ao pecador impenitente (Jo 20.21-23).

Oração

  1. A oração é o oferecimento dos nossos desejos a Deus em nome de Jesus (Fp 4.6).

  2. Ela foi  ordenada por Jesus, que ensinou aos discípulos tudo o que é necessário saber sobre a oração. 

  3. Na oração conhecida como “Pai Nosso”, o Senhor nos ensinou sobre o que orar (Mt 6.9-13; Lc 11.1-4). 

  4. O Senhor também ensinou sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer (Lc 18.1), orar sem cessar (1Ts 5.17), orar com humildade e não com soberba (Lc 18.9-14), orar uns pelos outros (Tg 5.16), confiar que receberemos do Senhor aquilo que pedimos (Mc 11.24) e pedir pelo dom do Espírito Santo (Lc 11.9-13).

Meditação nas Escrituras

  1. A meditação das Escrituras é ordenada por Deus no Antigo (Sl 1.1,2) e no Novo Testamento  (At 17.11). Ela inclui ler as Escrituras (Js 1.8), ouvir a pregação da palavra de Deus (Pv 4.20-22), conversar sobre elas (Cl 3.16), ocupar a mente com elas (Fp 4.8). 

Jejum

  1. O jejum é a abstenção de prazeres lícitos, como alimentos, líquidos, ou ambos (Dn 10.2-3; Jn 3.7; 1Co 7.5). Ele foi ordenado pelo Senhor (Jl 2.12) e deve ser feito diante de Deus (Mt 6.16-18), associado à oração (Ed 8.23; Dn 9.3; At 13.2,3) e às boas obras (Is 58.6), com vistas à mortificação da carne (1Co 9.27) e ao fortalecimento da fé (Mc 9.29).

9. Igreja

Descrição

  1. A igreja é a congregação dos fieis em nome de Jesus (Mt 18.20), onde a palavra é pregada e os sacramentos são celebrados corretamente (Mt 28.19-20). 

Marcas da Igreja

  1. Ela é una em sua relação com Cristo, o único cabeça de toda a igreja (1Co 12.12,13). 

  2. A unidade institucional não é absolutamente necessária para manter a unidade da igreja (Mc 9.38-40), mas ela é boa e deve ser buscada sempre que for possível sem prejuízo da verdade do evangelho (1Co 1.10; Rm 14.1-4).

  3. Ela é santa, promovendo a santificação dos crentes por meio da pregação da palavra, da administração dos sacramentos e da disciplina bíblica (Ef 5.25-27). 

  4. Ela é católica, reunindo os crentes de todas as épocas e lugares (Ap 7.9,10). 

  5. Ela é apostólica, mantendo viva a fé dos apóstolos e a pregação do evangelho (Ef 2.19,20). 

  6. Ela é indefectível, não podendo falhar de forma permanente ou definitiva, pois as portas do inferno não podem prevalecer contra ela (Mt 16.18).

  7. Há pecadores no meio da igreja, e não se deve esperar uma perfeição absoluta da igreja antes do juízo final (Mt 13.24-30; 2Tm 2.19).

Ministério

  1. O Espírito Santo estabeleceu na igreja ordens de ministros para liderarem o povo sacerdotal de Deus na obediência a sua palavra (At 20.28; 1Tm 3.1; 2Tm 4.1,2). 

  2. Tais são chamados de bispos, presbíteros e diáconos. 

  3. A posição deles é um múnus e todos eles estão submetidos à autoridade suprema de Cristo, o juiz final de todos os homens (Cl 1.18; Jo 5.22,23), à obediência das Escrituras (1Tm 4.16), e à prestação de contas mútua (Gl 6.1,2) e à própria congregação (Mt 18.15-17). 

  4. Se os seus ministros não cumprirem o dever para o qual foram vocacionados por Deus, a congregação dos fieis pode ordenar novos ministros, como ela fez no caso da reforma protestante (At 6.3; 1Pe 2.9).

  5. Os bispos e presbíteros são ministros da palavra, a quem, em situações ordinárias, cabe a pregação (1Tm 4.13; 2Tm 4.2) e a administração dos sacramentos e da disciplina na igreja (Tt 1.7-9; Mt 28.19; 1Co 11.23-25; 1Tm 5.19,20). 

  6. Devem ter o caráter e as condições estabelecidas nas Escrituras (1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9) e precisam, necessariamente, ser homens (1Tm 2.12). É seu dever ser fieis às Escrituras por completo (At 20.27; 2Tm 4.2-5), cuidar do povo de Deus (At 20.28; 1Pe 5.2,3), visitar e nutrir espiritualmente os fracos (Hb 12.12,13), ensinar com a palavra e com o exemplo (1Tm 4.12).

  7. Os diáconos são os auxiliares dos bispos e presbíteros e atendem, principalmente, ao ministério da misericórdia, do socorro e do evangelismo (At 6.1-3; 21.8). 

  8. Todos os crentes devem amor fraternal e respeito mútuo a todos (Ef 4.2), mas especial respeito e obediência aos ministros da igreja (Hb 13.7,17; 1Tm 5.17).

Missão

  1. A igreja é o sal da terra porque ela tem a missão de preservar a verdade no mundo (Mt 5.13; 1Tm 3.15). 

  2. Ela é a luz do mundo porque ela tem a missão de levar a verdade até a cada canto mais escuro da terra (Mt 5.14). 

  3. A igreja cumpre sua missão por meio da pregação da palavra e da administração dos sacramentos e da disciplina (Mt 28.19,20) e por meio do ministério sacerdotal de cada crente em sua respectiva esfera de influência (1Pe 2.9).

10. Ética Cristã

  1. A lei de Deus revelada no Antigo Testamento foi abolida como método de salvação (Gl 2.16,24-25). 

  2. Mas os mandamentos morais que encontramos nela, explícitos ou implícitos, ainda são o padrão para os crentes do que devem fazer para amar, glorificar e agradar a Deus e amar ao próximo (Tg 2.8; 1Jo 5.2,3). 

  3. O resumo dos mandamentos morais se encontra nos dez mandamentos (Êx 20.1-17; Dt 5.6-21). O resumo dos dez mandamentos se encontra nos dois grandes mandamentos que Jesus explicou sobre amar a Deus e ao próximo (Mt 22.37-40).

Amor a Deus

  1. Uma aplicação dos primeiros quatro mandamentos, que dizem respeito a nosso amor a Deus, não pode prescindir das seguintes coisas: É dever de todos adorar a Deus (Êx 20.3), oferecer orações (1Tm 2.1,8), meditar em Sua palavra (Sl 1.2), ouvir a palavra pregada (Rm 10.17), adorar a Deus na reunião dos fieis (Sl 95.6), separar o tempo necessário para cultuar a Deus com a igreja (Êx 20.8; Hb 10.25), falar a verdade a respeito de Deus (Êx 20.7), rejeitar qualquer outro culto ou prática religiosa que não seja aquela da igreja de Cristo, conforme a palavra de Deus (Êx 20.4).

Amor ao próximo

  1. Uma aplicação dos últimos seis mandamentos, que dizem respeito a nosso amor ao próximo, não pode prescindir das seguintes coisas: É dever de todos amar sua família, especialmente pais e filhos (Êx 20.12; Ef 6.1-4), e prestar a honra devida a cada um em sua respectiva posição (Rm 13.7), preservar e melhorar a vida do próximo (Êx 20.13; Pv 24.11,12; Lc 10.33,34), honrar o cônjuge (Êx 20.14; Ef 5.33) e a instituição do casamento (Hb 13.4), que é sempre a união legítima entre um homem e uma mulher (Gn 2.24), honrar a propriedade e os bens do próximo (Êx 20.15; Pv 3.27), sempre que possível cuidar para que o próximo tenha o necessário (Fp 2.4; Tg 2.15,16), falar a verdade (Êx 20.16; Ef 4.25), e não nutrir nenhum tipo de cobiça a nada que é do próximo (Êx 20.17; Gl 5.26; Tg 3.14-16; Lc 12.15), o que é incompatível com o amor (Rm 13.9,10).

11. Magistrado Civil

  1. A igreja tem um papel profético em sua relação com as autoridades civis (At 5.29; 1Rs 18.17,18; Mt 14.3,4). 

  2. A autoridade civil deve garantir à igreja o respeito à sua liberdade para denunciar pecados e chamar ao arrependimento quem quer que seja, inclusive o magistrado civil (Rm 13.3,4). 

  3. O magistrado deve proteger o trabalho da igreja para que ela possa ter paz e trazer o benefício necessário à sociedade (1Tm 2.2-4).

12. Últimas Coisas

  1. Jesus Cristo virá novamente (Jo 14.3; At 1.11). 

  2. Sua vinda pode ocorrer a qualquer momento (Mt 24.44), e será física (At 1.11), visível (Ap 1.7) e gloriosa (Mt 24.30; Tt 2.13), não mais em humilhação (Hb 9.28), mas para julgar os homens (Mt 16.27; 25.31,32). 

  3. Os crentes que morrem antes da vinda de Jesus vão imediatamente para estarem com Cristo no reino celestial (Fp 1.23; 2Tm 4.18) e aguardam a ressurreição para estarem com o Senhor não apenas em espírito, mas também em corpo (1Ts 4.16,17). 

  4. Os ímpios que morrem antes da vinda de Jesus estão em tormentos aguardando o dia do juízo final para receberem sua pena (Lc 16.22,23; 2Pe 2.9; Ap 20.13-15).

  5. Na vinda de Jesus os mortos ressuscitarão e os crentes que estiverem vivos serão transformados com um corpo glorioso (1Ts 4.16,17). 

  6. Haverá um juízo final, no qual todos os que rejeitaram a Cristo serão julgados por seus próprios pecados e condenados ao castigo apropriado (Ap 20.11-15; 2Co 5.10; Rm 2.6-8).

  7. Assim como a salvação dos crentes será eterna, eterno será o castigo dos ímpios (Mt 25.46).

  8. Deus restaurará todas as coisas, haverá novos céus e nova terra, onde não haverá nenhuma maldade ou pecado (Ap 21.1-4; 2Pe 3.13). 

  9. Deus será tudo em todos (1Co 15.28) e os crentes reinarão eternamente com Cristo (2Tm 2.12; Ap 22.5).


Credo Apostólico

Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na santa igreja universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém.

Credo Niceno

1. Creio em um só Deus, o Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis;
2. E em um só Senhor, Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas foram feitas;
3. O qual, por nós homens, e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e foi feito homem;
4. E foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado;
5. E no terceiro dia ressuscitou, conforme as Escrituras;
6. E subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai,
7. E de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim.
8. E creio no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas.
9. Creio na igreja una, santa, católica e apostólica,
10. Reconheço um só batismo para remissão dos pecados;
11. E aguardo a ressurreição dos mortos
12. E a vida do mundo vindouro.

Credo Atanasiano

1. Todo aquele que quiser ser salvo, é necessário acima de tudo, que sustente a fé universal.
2. A qual, a menos que cada um preserve perfeita e inviolável, certamente perecerá para sempre.
3. Mas a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em Unidade.
4. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância.
5. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito Santo outra.
6. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade.
7. O que o Pai é o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo.
8. O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito Santo é não criado.
9. O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado.
10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
11. Contudo, não há três eternos, mas um eterno.
12. Portanto não há três não criados, nem três ilimitados, mas um não criado e um ilimitado.
13. Do mesmo modo, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
14. Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
15. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
16. Contudo, não há três Deuses, mas um só Deus.
17. Portanto o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é Senhor.
18. Contudo, não há três Senhores, mas um só Senhor.
19. Porque, assim como compelidos pela verdade cristã a confessar cada pessoa separadamente como Deus e Senhor;
20. Assim também somos proibidos pela religião universal de dizer que há três Deuses ou Senhores.
21. O Pai não foi feito de ninguém, nem criado, nem gerado.
22. O Filho procede do Pai somente, nem feito, nem criado, mas gerado.
23. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente.
24. Portanto, há um só Pai, não três Pais, um Filho, não três Filhos, um Espírito Santo, não três Espíritos Santos.
25. E nessa Trindade nenhum é primeiro ou último, nenhum é maior ou menor.
26. Mas todas as três pessoas co-eternas são co-iguais entre si.
27. De modo que em tudo o que foi dito acima, tanto a Unidade em Trindade, como a Trindade em Unidade deve ser cultuada.
28. Logo, todo aquele que quiser ser salvo deve pensar desse modo com relação à Trindade.
29. Mas também é necessário para a salvação eterna, que se creia fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo.
30. É, portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é tanto Deus como Homem.
31. Ele é Deus eternamente gerado da substância do Pai; Homem nascido no tempo da substância da sua mãe.
32. Perfeito Deus, perfeito Homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana.
33. Igual ao Pai com relação à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade.
34. O qual, embora seja Deus e Homem, não é dois mas um só Cristo.
35. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua Divindade haver assumido sua Humanidade.
36. Um, não, de modo algum, pela confusão de substância, mas pela unidade da Pessoa.
37. Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só homem, assim Deus e Homem constituem um só Cristo.
38. O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia.
39. Ascendeu ao céu, assentou-se à direita de Deus Pai onipotente,
40. De onde virá para julgar os vivos e os mortos.
41. Em cuja vinda, todos os homens ressuscitarão com seus corpos,
42. E prestarão contas de suas obras.
43. E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna; aqueles que houverem feito o mal, para o fogo eterno.
44. Esta é a fé Universal, a qual a não ser que um homem creia firmemente nela, não pode ser salvo.


Nossos Distintivos

Somos Cristãos
Cremos nos três credos ecumênicos: o Credo Apostólico, o Credo Niceno e o Credo Atanasiano. Portanto, cremos que Deus é um só, que o Deus único subsiste em três pessoas e que nosso Senhor Jesus Cristo é tanto verdadeiramente Deus quanto verdadeiramente homem. Cremos em seu nascimento virginal, em sua vida santa, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição física e em sua ascensão à mais alta glória, à destra de Deus Pai Todo-Poderoso. Aguardamos seu retorno no fim da história para julgar os vivos e os mortos e cremos que, nessa ocasião, todos os mortos serão ressuscitados, uns para a vida eterna e outros para a morte eterna.

Discordamos dos que negam que Deus seja uma só essência e dos que afirmam que a unidade da divindade é apenas uma unidade de propósito. Discordamos dos que negam que, num único Deus, há três pessoas realmente distintas quanto à personalidade e dos que afirmam que se trata apenas de manifestações ou revelações de aspectos da divindade ao longo da história.

Discordamos dos que negam que nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiramente Deus e dos que afirmam que Ele é uma criatura elevada à estatura divina, ou que Ele é um deus menor do que o Deus verdadeiro, ou que Ele é um anjo, ou ainda dos que afirmam que houve um tempo em que Jesus não existiu.

Discordamos dos que negam que Jesus é verdadeiramente homem e dos que afirmam que Ele apenas parecia um homem, ou que Ele não tinha uma carne real, ou que Ele era apenas um espírito que habitava um homem e o abandonou no momento da crucificação, ou dos que afirmam que Ele deixou de ser homem após a ressurreição.

Somos Evangélicos
Cremos nos solas da Reforma, isto é, que a única regra infalível de fé e prática é a Bíblia Sagrada, que a salvação é unicamente pela graça de Deus e que só pode ser obtida por meio da fé.

Discordamos dos que negam que nosso Senhor Jesus morreu por nossos pecados e para nossa salvação, e dos que negam que Jesus morreu pelos pecados do mundo todo, e dos que afirmam que a salvação é obtida, inteiramente ou parcialmente, por meio de boas obras, e dos que afirmam que Jesus morreu unicamente pelos pecados dos eleitos.

Somos Pentecostais
Cremos que Deus continua distribuindo dons espirituais conforme Lhe apraz, incluindo dons como línguas estranhas e profecia.

Discordamos dos que negam que tais dons espirituais ainda sejam distribuídos nos dias atuais.

Discordamos dos que negam que todos os crentes regenerados são batizados com o Espírito Santo e dos que afirmam que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência distinta e posterior à regeneração, bem como dos que afirmam que apenas aqueles que falam em línguas estranhas ou possuem algum outro dom espiritual carismático são realmente batizados com o Espírito Santo.

Somos Sacramentalistas
Cremos que o Espírito Santo opera usando meios. Que a pregação da palavra de Deus, o santo batismo e a Santa ceia são meios que o Espírito Santo usa para realmente salvar os pecadores.

Discordamos dos que negam que nos sacramentos Deus opera para salvar, perdoar pecados, regenerar, conceder o Espírito Santo e todos os benefícios da redenção obtidos por Cristo, e dos que afirmam que o batismo é apenas um símbolo vazio que não produz nenhuma regeneração, e dos que afirmam que o batismo é aplicado apenas sobre os que já foram regenerados e perdoados de seus pecados e não para que sejam regenerados e perdoados de seus pecados, e dos que afirmam que na santa ceia o pão e o cálice são apenas símbolos vazios sem nenhuma presença real do próprio Cristo.

Somos Presbiterais
Cremos que a igreja deve ser governada, no nível local e denominacional, pelos pastores ordenados regularmente para essa função. Que um deles pode ser eleito para coordenar os esforços de todos e para fiscalizar que o evangelho e a doutrina bíblica correta estejam sendo pregados e ensinados nas igrejas.

Discordamos dos que negam que todos na igreja devem prestar contas do seu ministério uns aos outros e dos que afirmam que um pastor é superior aos outros, que os demais são apenas auxiliares de um pastor hierarquicamente superior e que esse pastor não deve prestar contas nem se submeter a ninguém.

Somos Pedobatistas
Cremos que as crianças filhas de crentes são cristãs e podem ser batizadas nas águas.

Discordamos dos que negam que o batismo de bebês filhos de crentes seja válido e dos que afirmam que, se alguém foi batizado enquanto criança, deve ser rebatizado.

Somos Complementaristas
Cremos que Deus atribuiu papéis diferentes a homens e mulheres na família, na igreja e na sociedade e que, especificamente na igreja, cabe aos homens exercer a função de presbíteros, pastores e bispos.

Discordamos dos que negam que a distinção entre homens e mulheres tem origem divina desde a criação e dos que afirmam que as diferenças entre homens e mulheres são apenas consequências da queda, que a redenção em Cristo obliterou todas as diferenças e que as mulheres podem exercer todos os cargos de autoridade disponíveis na igreja, assim como na família.


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