O que Deus tem contra os woke?

 

Introdução

Coisas impressionantes estão acontecendo. Não é algo do tipo que escurece o sol e torna a lua em sangue. Para chegar a esse nível, seria necessário ser algo comparável ao derramamento do Espírito no pentecostes. Mas coisas assim, acontecem muito raramente. Apesar disso, ainda é bastante impressionante que o El País tenha publicado um artigo curtíssimo de um sociólogo francês que – sente-se antes de ler o restante da frase – falou coisas negativas sobre alguma coisa progressista de relevo.

No artigo do francês

No artigo, que você pode ler aqui, François nos ajudou com algumas definições bastante claras e observações pertinentes, outra coisa impressionante vindo de um sociólogo. Para ele, o movimento woke se define por jovens progressistas, empresas progressistas e agências governamentais controladas por progressistas indignados com aquilo que eles entendem como injustiças raciais e de gênero e que enfatizam o controle da linguagem. Quanto a este último ponto, qualquer expressão que os desagrade é denominada problemática. Uma vez que alguém seja rotulado como problemático, passa a ser alvo do cancelamento que é basicamente uma forma de excomunhão e perseguição, para que a pessoa se torne incapaz de comprar, vender, se casar, trabalhar, estudar, ou, se eles não conseguirem tudo isso, pelo menos parar de publicar em mídias sociais, ou, se não conseguirem isso também, pelo menos parar de ser lida, vista ou ouvida em mídias sociais. Até agora, pelo que sabemos, eles ainda não conseguiram impedir compras e vendas, mas arruinaram muitas coisas com suas campanhas de difamação.

Na hierarquia de injustiças que indignam os woke estão o racismo e qualquer posição contrária ao transgenerismo nos primeiros lugares. Feminismo e outros movimentos tradicionalmente progressistas também ocupam seu próprio lugar mais abaixo na hierarquia de prioridades. Eles devem se submeter à nova ortodoxia woke. Feministas, como JK Rowling, já foram canceladas por “insinuar que para ser mulher é preciso menstruar”. A mídia alemã evitou denunciar os estupros ocorridos no Ano Novo de 2016 por medo de ser rotulada de racista ao denunciar os culpados (seriam eles imigrantes muçulmanos?).

O braço forte

Na nossa interpretação, o wokismo é um dos braços de um movimento maior, que é o marxismo cultural. Nos interessa muito o fato de como o wokismo está sendo utilizado para controlar a linguagem das pessoas, isto é, para determinar o que é justo e apropriado de se dizer e para fiscalizar o discurso das pessoas.

Três fatos importantes

Por que isso nos interessa? Por pelo menos três razões que são fatos da realidade: Jesus Cristo é a Verdade, o que implica necessariamente que Ele odeia a mentira; Deus nos deu a linguagem, assim como nos deu o ar que respiramos, e, portanto, só Deus pode com justiça controlar a linguagem; e, por último, Deus fez o homem à sua imagem e mandou que ele dominasse sobre a terra e os seres que nela vivem, e o primeiro ato de domínio foi dar o nome das coisas, o que Adão começou a fazer desde o Éden.

Desde que Adão deu nome ao primeiro animal e à primeira planta que ele viu no Éden, nós, seus filhos, herdamos esse dever dado por Deus de dar o nome certo às coisas. Grande parte de todo o nosso trabalho e de todas as nossas discussões nada mais é do que nossa tentativa de determinar o nome verdadeiro das coisas.

Grande parte de nossas guerras também são guerras sobre a linguagem. A questão é, muitas vezes, se esse pedaço de terra que por acaso tem um tanto de ouro – ou petróleo – deve ser chamado de “meu” ou de “seu”. Isso porque a linguagem tem consequências. Se o pedaço de terra for “meu” eu posso fazer coisas nele que eu não poderia se ele fosse “seu”.

A importância da linguagem

Se entendermos o último parágrafo podemos entender a razão por que o movimento woke dá tanta importância à linguagem. A linguagem é um instrumento de poder. Controlar a linguagem é igual a controlar uma sociedade em seu âmago, seu pensamento, suas crenças, sua cultura. Dar nome às coisas é um ato de domínio.

Mas o que há de errado nisso? O que há de errado é que o movimento woke dá nomes falsos às coisas e exige que as pessoas chamem as coisas pelos nomes falsos que eles deram.

A língua é de Deus

A linguagem é uma dádiva de Deus, e Deus é a Verdade. Isso implica que nós não podemos dominar a terra a nosso bel prazer e manipular a realidade para fazê-la se parecer com nossos gostos. A linguagem é um meio de domínio sobre a criação, mas todo domínio está debaixo da autoridade de Deus. Nós devemos dominar a terra e sujeitá-la para a glória de Deus, o que implica que temos de chamar as coisas pelos nomes apropriados que são sempre os nomes verdadeiros.

O que Deus tem contra os woke?

Deus tem um problema sério com aqueles que chamam de bem o que é mau, e de mal aquilo que é bom (Is 5.20). Se o movimento woke diz que, por exemplo, o João que fez uma cirurgia e mudou seu nome no documento para Joana agora é uma mulher e deve ser tratado como tal, isso não altera a substância da realidade. O agora Joana é um homem.

Outro exemplo. Se o movimento woke diz que o Renato é racista por ser homem, branco, louro, ter um bom emprego, ser casado com a mesma mulher há 30 anos, ter 5 filhos, ser cristão e cantor do coral da igreja, isso não altera a essência da realidade de que ele não é racista. Pelo menos não por nenhuma das razões elencadas pelo movimento.

Mais um exemplo. Se o movimento woke diz que homens e mulheres são iguais em todos os aspectos além da biologia, isso não altera o substrato da realidade. Homens e mulheres são diferentes em outros aspectos além da biologia. Eles são diferentes psicologicamente, emocionalmente, em seus interesses, em seus anseios, em sua sexualidade e, mais importante de tudo, no propósito da sua criação.

Filhos e filhas de Eva

O esforço woke de alterar a realidade por meio da linguagem é a consequência lógica do erro de Eva, de pensar que comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal faria que ela se tornasse como Deus. Deus determina a realidade das coisas e nos dá o dever e o privilégio de dominar a terra e sujeita-la por meio da verdade, isto é, de uma investigação genuína sobre o que as coisas realmente são.

Assim como ocorreu com Eva, nossa mãe, comer o fruto woke não altera a realidade das coisas, mas altera a situação de quem se submete a uma linguagem falsa e deturpada. Os woke estão caídos. Como disse o nosso Senhor, não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai dela. Os woke estão contaminados pelas mentiras que contam. Interessantemente, eles parecem estar determinados em sua resolução de pressionar a todos para se contaminarem com eles – é a força do hábito daqueles que vestem máscaras e obrigam vacinas para evitar contaminações. O problema, para eles, é que a verdade não se determina por votação.

Conclusão

Embora nosso coração e nossas intenções devam ser completamente diferentes da forma de pensar e agir dos woke, temos de admitir que temos uma ordem de Deus de exercer domínio. Nós, mais do que qualquer outro, na verdade, já que entendemos isso não apenas de forma intuitiva, mas de forma explícita pelas Escrituras.

As nossas definições têm de ser claras e o nosso uso da linguagem tem de ser limpo e honesto com a realidade. A doutrina cristã determina que não podemos forçar ninguém a usar a linguagem correta (mais sobre isso em outra ocasião), mas também determina que não nos deixemos ser constrangidos por quem nos quer ouvir falar a linguagem falsa.

Comentários

  1. tema relevante, fale mais sobre esse assunto!

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  2. A Bíblia é, sem dúvida, o centro do cânone da literatura ocidental, por consequência, utilizá-la como referência a fim de contrapor as quimeras 'frankfurtianas' é sempre algo elogiável, visto que a maioria absoluta dos ensaístas, por medo de perseguição ou desmerecimento, sempre preferem dispor de proposições materialistas, esquecendo-se da maior fonte de conhecimento da verdade, a Bíblia. Ademais, parece-me que é sempre importante lembrar que quem controla a linguagem, controla a mentalidade, quem controla a mentalidade, controla a liberdade.

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