Introdução
O casamento gay é, hoje, uma bandeira em
praticamente todas as nações do ocidente. Entre os formadores de opinião mais
importantes da nossa cultura, existe um consenso de que gays devem ter o
direito de se casar, assim como heterossexuais. Mas como isso aconteceu?
Historicamente falando, não faz muito tempo que o casamento era unanimemente
visto como uma instituição criada por Deus no jardim do Éden em que um homem e
uma mulher são perpetuamente unidos para construírem suas vidas juntos e terem
filhos. Como nós saímos do conceito de casamento bíblico para o conceito de
casamento à parte da Bíblia? Ou, em outras palavras, como saímos do conceito de
casamento como dado pelo Criador do casamento para um conceito de casamento
dado pelo estado?
O debate gayzista
Andrew Sullivan, em um debate com Douglas
Wilson sobre casamento gay no qual ele defendeu a posição gayzista, disse algo
muito interessante sobre a razão por que o casamento gay passou a ser uma
bandeira na nossa história. Você pode assistir o debate aqui. De acordo com ele, uma vez que o sexo e a
procriação foram separados pela pílula anticoncepcional, a ideia do casamento
ser entre homem e mulher perdeu o sentido. Os filhos no casamento são
acidentais e não parte natural do relacionamento. Um casal heterossexual, e o
ato sexual entre os dois, pode ser tão perfeitamente estéril como o ato sexual
entre dois homens.
Uma vez que o casamento tenha perdido a sua
característica de instituição para perpetuação e multiplicação da humanidade
por meio da procriação, e tenha se tornado uma instituição meramente para o
prazer, bem-estar e segurança dos cônjuges, não faz sentido limitar esse
prazer, bem-estar e segurança aos casais heterossexuais.
A natureza do casamento, portanto, no
pensamento de Sullivan, não foi alterada pela campanha gayzista a favor do
casamento gay, mas pela revolução sexual que separou o ato sexual da
reprodução.
Casamento é mais que isso
Existe sentido nisso que Sullivan disse. Mas
temos de admitir que isso não é tudo. Não é tudo, porque o casamento não foi
criado por Deus apenas como meio de reprodução. A reprodução e a multiplicação
estão, claramente, ligadas ao casamento nas Escrituras e, mesmo assim, há
várias razões por que o casamento existe.
Como todas as coisas, o casamento existe para
a glória de Deus (I Co 10.31). O casamento existe para refletir a união entre
Cristo e sua igreja, e, nesse sentido, o casamento existe para que o esposo ame
sua esposa como Cristo ama a igreja, e para que a esposa se submeta ao seu
marido como a igreja se submete a Cristo (Ef 5.22s). O casamento existe,
portanto, para prover proteção e previdência para os cônjuges e para os filhos .
E, assim, o casamento existe para que o casal possa ter filhos e para que os
filhos possam crescer saudáveis e felizes (Gn 1.28).
O macho e a fêmea
Tudo isso implica em que o casamento está
intrinsecamente ligado à forma como Deus criou o ser humano, e Deus criou o ser
humano como um ser de dois sexos que se unem. Deus criou o homem à sua imagem,
conforme a sua semelhança, e Deus criou o homem macho e fêmea (Gn 1.27), isto
é, na humanidade, Deus mostra a sua imagem por meio da sexualidade, do macho e
da fêmea unidos em casamento. O homem é um ser digno com valor intrínseco
porque ele foi criado à imagem de Deus (Gn 9.6), e o casamento é digno de honra
e tem valor intrínseco (Hb 13.4) porque o casamento foi criado à imagem e
semelhança de Deus. Na união entre o homem e a mulher, a glória de Deus está
presente (Mc 10.9).
Por isso, Jesus mostrou que a união entre o
homem e a mulher no casamento não só é uma doutrina da criação, como é perpétua
(Mc 10.9). Aquilo que Deus criou foi feito para durar (Ec 3.14), Deus criou o
casamento, portanto, o casamento foi feito para durar.
Sullivan acertou errado
Assim, o argumento de Sullivan tem um valor
histórico, isto é, ele nos ajuda a ver como o conceito de casamento se
degenerou na nossa sociedade. Mas ele é incompleto. Porque ele pressupõe que o
casamento foi feito só para procriação, e nós sabemos que o conceito verdadeiro
de casamento tem pelo menos mais dois elementos. O casamento é uma instituição
criada por Deus para refletir sua imagem na sexualidade (macho e fêmea), na
multiplicação (procriação) e na perpetuidade (duração).
O ataque ao casamento não veio somente por
meio da pílula anticoncepcional, embora a tal pílula tenha ajudado muito na
distorção de um dos aspectos do casamento, mas o esforço todo começou antes
disso, assim como o objetivo final do ataque não termina na esterilidade
generalizada das relações sexuais.
A luta contra a imagem de Deus
O ataque é, antes de tudo, à imagem de Deus.
Satanás odeia o Senhor, porque o Senhor é a verdade e Satanás é o pai da
mentira. Os passos para destruição da imagem de Deus no casamento seguem mais ou
menos os mesmos passos que o inimigo tomou quando tentou sublevar a vida de
Sansão.
No caso de Sansão, ele era nazireu (Jz 13.5) e
tinha pelo menos três votos a manter: não tocar em mortos, não ter contato com
o vinho e não cortar seus cabelos (Nm 6.1s). A força de Sansão não estava nos
cabelos, mas na aliança com Deus, no voto de nazireu, na sua consagração ao
Senhor. Ele sistematicamente quebrou os votos, um por um, tocando no cadáver do
leão dentro de uma vinha (Jz 14.8,9) e, finalmente, tendo seus cabelos cortados
(Jz 16.19). Quando o último elemento do voto foi quebrado, sua força foi embora
e ele foi entregue à escravidão do inimigo (Jz 16.21).
Assim também, Satanás visa atacar a imagem de
Deus refletida na aliança do casamento, ponto a ponto, não todos os pontos de
uma vez, mas aos poucos, até que a aliança esteja completamente destruída.
O casamento com data de validade
O primeiro passo foi atacar a duração do
casamento, a sua perpetuidade. Deus determinou que o casamento é perpétuo. Que
a única coisa capaz de romper o laço do casamento é a morte, física ou pactual,
quando um dos cônjuges comete adultério (Mt 19.9).
Ao permitir o divórcio sem justificativa, o
casamento deixou de ser perpétuo, e passou a ser não um pacto, mas um mero
contrato com reflexos apenas patrimoniais. Não há mais deveres emocionais ou
sexuais, apenas deveres patrimoniais, financeiros, como qualquer contrato de
negócios, e por isso pode ser rompido como qualquer sociedade de negócios.
O casamento estéril em princípio
O segundo passo foi atacar a multiplicação,
tornando o casamento uma união estéril, e separando a vida e o amor do sexo. A
produção de vida, a geração de filhos é um acidente que pode ser evitado.
A imagem sexual
O terceiro passo é atacar a própria
sexualidade humana, binária como é, macho e fêmea. A ideologia de gênero, assim
como o casamento gay, é um ataque à imagem de Deus, agora não só no casamento,
mas na própria individualidade. O casamento gay era somente um dominó na fila.
A ideologia de gênero era a sequência lógica.
Batendo de frente com o muro da realidade
Quando eu digo que era a sequência lógica, eu
me refiro à forma, não à materialidade, pois no caso do raciocínio satânico, as
premissas são sempre falsas. A sequência de dominós para de cair quando o
último dominó se deparar com a realidade.
O fato, a realidade, é que o homem foi criado
à imagem de Deus, macho e fêmea. Isso nunca vai mudar. A utopia sodomita de um
mundo onde a imagem de Deus foi abolida da criação, e o universo está sozinho,
sem Deus, acaba na sólida rocha da realidade: Deus existe e é o Criador de
todas as coisas. O ser humano não é existência pura, ele tem uma essência que
foi assinalada por Deus em sua criação.
Sociedade animal
Assim, Sansão quebrou todos os votos, e perdeu
suas forças, se tornando escravo dos filisteus e sendo tratado como uma animal.
Da mesma forma, a nossa sociedade está quebrando todos os votos e se tornando
escrava de Sodoma, logo será tratada como animal. A perda da liberdade, de
todas as formas da liberdade, é a consequência lógica da rejeição da imagem de
Deus no ser humano. No entanto, essa rejeição não implica em que a imagem de
Deus tenha sido de fato aniquilada. Os cabelos de Sansão voltaram a crescer,
como sinal de que ele podia se arrepender e voltar a ser o que ele havia sido
um dia, um juiz do povo de Deus (Jz 16.22). Os seres humanos continuarão
nascendo macho e fêmea e se casando, e, eventualmente, a loucura sodomita será
derrotada.
Os cabelos da nossa sociedade, o sinal de que
ainda se trata de seres humanos criados à imagem de Deus, são as crianças. A
procriação, a multiplicação da vida, seguirá como sempre foi.
Infância perseguida
Por essa razão, a infância é ainda mais odiada
e perseguida. Nada agradaria mais a Satã do que a total esterilidade ou a
abolição da paternidade. Parte do esforço dos nefilófilos[1]
é, por meio da clonagem e da mistura entre seres humanos e animais, burlar o
caminho da sexualidade, fazer um atalho para criar seres humanos que não são
imagem e semelhança de Deus, que não são homem ou mulher, mas uma terceira
coisa, um macho de outra coisa, uma fêmea de outra coisa.
Essa brincadeira genética é o que, no nosso
entendimento, engendrou o dilúvio (Gn 6). Nós não estamos expostos ao dilúvio,
Deus prometeu que não irá inundar a terra toda novamente (Gn 9.11). Mas isso
não significa que não estamos expostos a julgamentos divinos. Vide, de forma
análoga, a subversão de Sodoma e Gomorra.
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