Introdução
A igreja
cristã crê, desde sempre, que a vitória é do Senhor. Essa é a doutrina mais
clara, mais óbvia, mais absolutamente verdadeira e mais universalmente aceita
de toda a Bíblia e de toda a história da igreja. Ou não?
Nossa visão
a respeito da vitória de Cristo é de que Ele vence seus inimigos na história por
meio da igreja e a morte por meio de sua vinda na ressurreição.
Dispensando
o dispensacionalismo
Nem todos
entendem o escopo e a profundidade da vitória de Cristo da mesma maneira. A
teologia mais popular e mais comum entre as igrejas apregoa uma vitória modesta
de Cristo. De acordo com essa teoria, a igreja nunca consegue discipular as
nações. No máximo ela consegue pregar para pelo menos um indivíduo de cada
tribo, povo, raça e língua. Cristo volta a qualquer momento, sem nenhum sinal prévio
específico da sua vinda. Mas essa vinda
é silenciosa e invisível. O pequeno grupo de crentes que estiver vivo na época é
arrebatado junto com os crentes que ressuscitam e vão para as bodas do
Cordeiro.
Será essa a
vitória de Cristo? Ainda não. As Bodas duram sete anos, durante os quais na
terra as nações fazem uma aliança global sob o governo de um único homem que é
o verdadeiro anticristo. No meio dos sete anos, o anticristo se volta contra a
nação política de Israel e se inicia um processo de terrível perseguição
chamado de A Grande Tribulação.
O Armagedom
A guerra
entre o anticristo e Israel se intensifica e, no fim dos sete anos, o povo terreno
de Deus – a forma como os proponentes dessa teoria se referem à nação de Israel
– é cercado e está à beira da aniquilação. Esse é o Armagedom. Jesus aparece no
último instante, de forma visível, audível, gloriosa e poderosa, cercado de
anjos e da igreja que foi arrebatada sete anos antes, e derrota o anticristo e
seu exército com um sopro de sua boca. Será essa a vitória de Cristo? Deve ser,
pois ele já voltou duas vezes! Mas, não, Jesus ainda não derrotou seus
inimigos.
O Milênio
Nesse
momento, se inicia na terra um período longo de paz e prosperidade sob a
administração terrena de Cristo, restaurado ao trono de Israel como o legítimo herdeiro
do trono de Davi. O Milênio começou. Durante o milênio, Satanás é preso, mas no
fim daquele período, ele é solto novamente e consegue incitar uma última
rebelião contra o Senhor Jesus Cristo e seu povo. Jesus o derrota, de novo.
Dessa vez, finalmente, a história termina. Começa o Juízo Final.
Finalmente
Nessa visão,
que chamamos de dispensacionalismo, a vitória de Cristo só ocorre depois
de duas vindas e do milênio. A igreja, durante todo o processo, não é
protagonista da história de nenhuma batalha, de nenhuma vitória, nem mesmo como
coadjuvante. Ela é passiva antes do arrebatamento, passiva depois do
arrebatamento, passiva no milênio. Israel é mais ativo do que a igreja, e, honestamente,
mais central do que ela em toda a história. Cristo vence, nessa versão da
história, mas não na Sua vinda e nem por meio da Sua igreja. No que toca ao
trabalho de Cristo em sua igreja, essa visão é o que poderíamos chamar de derrotista.
A igreja não conseguirá discipular as nações e Israel fará um trabalho melhor
de resistir aos poderes malignos do que a igreja, já que ela sequer estará aqui
para resistir.
Não-milênio
Outra versão
da escatologia cristã aponta, corretamente, que a volta de Jesus marca sua
vitória final sobre todos os seus inimigos. Não há espaço para um anticristo e
mais duas guerras mundiais depois do retorno do Senhor. A Sua volta marca a
ressurreição de todos os mortos, o juízo final e o estado eterno. Todas as
guerras, todas as perseguições e todos os levantes têm de ocorrer antes da
volta de Jesus.
Além disso,
essa teoria mantém que o milênio se refere ao triunfo da igreja no céu, onde
Cristo reina ininterruptamente e onde a igreja reina com Ele, e reinará para
sempre. O milênio, portanto, seria apenas um símbolo do triunfo da igreja na
eternidade, não algo para ocorrer na história. Daí o nome da teoria, amilenismo.
A igreja,
nessa visão, também não discipula as nações, não vence na história, apenas na
eternidade, e os inimigos do Senhor são todos simultaneamente derrotados na
volta de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Uma visão
bíblica
A segunda
teoria é superior à primeira em vários aspectos. É fácil notar. Mas as duas tem
problemas sérios. Note o que Paulo diz em I Co 15.20s:
20 - Mas
de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que
dormem. 21 - Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição
dos mortos veio por um homem. 22 - Porque, assim como todos morrem em Adão,
assim também todos serão vivificados em Cristo. 23 - Mas cada um por sua ordem:
Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. 24 - Depois
virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver
aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. 25 - Porque convém que
reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. 26 - Ora, o
último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.
Paulo
descreve o seguinte cenário: Cristo ressuscitou dos mortos (v20). Ele é as
primícias da ressurreição (v20), o que implica que, porque Ele ressuscitou,
todos serão ressuscitados (v21,22). A ressurreição dos que são de Cristo ocorre
na vinda de Cristo (v23). O fim vem quando Cristo volta e ressuscita os mortos,
e o fim é o que ocorre quando Cristo entrega o reino a Deus, o Pai, o que só
ocorre depois que todo o principado, potestade e poder é destruído (v24). Enquanto
qualquer inimigo ainda não tiver sido destruído, Cristo reina, e não entrega o
reino a Deus Pai (v25). A morte é o último inimigo a ser derrotado (v26).
Mais adiante,
São Paulo acrescenta:
54 - E,
quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é
mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está
escrita: Tragada foi a morte na vitória. 55 - Onde está, ó morte, o teu
aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? 56 - Ora, o aguilhão da morte é
o pecado, e a força do pecado é a lei. 57 - Mas graças a Deus que nos dá a
vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.
No momento
em que os crentes forem ressuscitados, a morte terá sido derrotada (v54). A
vitória sobre a morte vem de Cristo, nosso Senhor (v57) que nos faz compartilhar
de Sua vitória!
Ligando
os pontos
Agora que
temos as informações, podemos raciocinar com elas: Cristo reina hoje e Ele o
faz para colocar todos seus inimigos debaixo de Seus santos pés. Não devemos esperar
um momento no futuro em que Cristo se assentará no trono de Davi e reinará
sobre todas as coisas. Ele já está assentado em Seu trono, Ele já reina, Ele já
está no lugar mais alto. Se colocarmos Cristo em outro trono agora, será para
rebaixá-lo. Não existe um trono mais alto, uma autoridade que Ele ainda não
tenha. Toda a autoridade já foi dada ao Senhor, tanto no céu quanto na terra. O
reino do Senhor não está limitado ao céu. Ele reina na terra, e seus inimigos
não são derrotados apenas no céu, eles são derrotados na terra.
O Senhor deixa
a morte para derrotar por último. Ele está colocando todos os seus inimigos
debaixo dos pés, os reis, os presidentes, os chanceleres, os
primeiros-ministros, os poderosos, os generais, estão sendo colocados por
Cristo debaixo de seus pés, isto é, as nações estão sendo conquistadas e
discipuladas. Não há nada que não esteja sendo submetido a Cristo.
Quando
Cristo finalmente destruir a morte, isto significa que todos os outros inimigos
já foram previamente derrotados. Não há espaço para mais guerras, conflitos e
lutas quando a morte estiver sendo derrotada. Para que a morte seja a última,
ela deve estar em pé ainda quando todos os outros já estiverem caídos, e então ela
cai sozinha, depois de todos eles.
A morte é
vencida quando os crentes são ressuscitados. E os crentes são ressuscitados
quando Cristo volta. Portanto, todos os outros inimigos têm de ser derrotados
antes de Cristo voltar:
I Coríntios
15: 50 - E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o
reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. 51 - Eis aqui vos digo um
mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; 52
- Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a
trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos
transformados.
No trono
de Davi
Assim, temos
que: Cristo reina no trono de Davi hoje. Como seus inimigos estão sendo
derrotados? Por meio da pregação do evangelho e da administração dos
sacramentos a todas as nações. Mas quem prega e administra os sacramentos? A
igreja, de acordo com a ordem do Senhor:
Mateus 28:
18 - E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e
na terra. 19 - Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os
em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 - Ensinando-os a guardar
todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os
dias, até a consumação dos séculos. Amém.
A igreja
reina com Cristo hoje: Apocalipse 1:5 - E da parte de Jesus Cristo, que é a
fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra.
Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados; I Pedro 2:9
- Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo
adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas
para a sua maravilhosa luz.
E como ela
reina? Vencendo o pecado, pregando o evangelho, fazendo discípulos, resistindo
ao inimigo, que fugirá de nós.
A diferença
entre este ponto de vista e o amilenismo é que, aqui, cremos que a
igreja é o instrumento de Cristo para derrotar todos os seus inimigos antes de
derrotar a morte. A morte é derrotada na vinda do Senhor. Todos os outros
inimigos são derrotados antes, pelo cumprimento da missão da igreja.
Isto, basicamente,
é o que chamamos de pós-milenismo.
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