Meditação Diária
Habacuque
1:5-11
5 - Vede
entre as nações, e olhai; maravilhai-vos e admirai-vos; porque realizo em
vossos dias uma obra, que vós não acreditareis, quando vos for contada.
6 - Pois
eis que suscito os caldeus, essa nação feroz e impetuosa, que marcha sobre a
largura da terra para se apoderar de moradas que não são suas.
7 - Ela é
terrível e espantosa; dela mesma sai o seu juízo e a sua dignidade.
8 - Os
seis cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, se mais ferozes do que os
lobos a tarde; os seus cavaleiros espalham-se por toda a parte; sim, os seus
cavaleiros vêm de longe; voam como a águia que se apressa a devorar.
9 - Eles
todos vêm com violência; a sua vanguarda irrompe como o vento oriental; eles
ajuntam cativos como areia.
10 -
Escarnecem dos reis, e dos príncipes fazem zombaria; eles se riem de todas as
fortalezas; porque, amontoando terra, as tomam.
11 -
Então passam impetuosamente, como um vento, e seguem, mas eles são culpados,
esses cujo próprio poder é o seu deus.
Introdução
Os caldeus
eram o acme do homem caído. O cerne da queda do homem no Éden foi o desejo de
se tornar como Deus, “conhecedor do bem e do mal”, isto é, capaz de determinar
para si mesmo o que é bom e o que é mau. Os caldeus criam o seu próprio direito
e dignidade (7, ARA), isto é, determinam para si mesmos o que é certo e errado,
o que é digno e indigno.
Interessantemente,
essa autonomia pecaminosa gera neles um tipo de idolatria bem específica: eles
adoram o poder (11), ou seja, o poder em si, a capacidade de fazer com que as
coisas aconteçam da forma como lhes agradar.
Em outras
palavras, os caldeus eram o que hoje chamamos de humanistas e totalitaristas. O
homem é a medida de todas as coisas. O homem cria seus próprios valores. O
homem controla todas as áreas da existência. O homem... O homem...
Sendo assim,
é ainda mais notável que Deus tenha dito que Ele mesmo suscitou os caldeus (5).
Nada Novo
Debaixo Do Sol
Como é de costume, tudo debaixo do sol é uma adaptação de coisas que já foram feitas.
Os
caldeus eram a cabeça de ouro na estátua da visão de Daniel. A estátua
simbolizava o projeto de Babel, a ideia de unificar toda a humanidade debaixo
de uma liderança autônoma, independente de Deus. Isto implica em que os
impérios que vieram depois dos caldeus não eram o seu oposto, eram sua
continuação. Os persas, os gregos, os romanos, são todos parte da mesma
estátua, do mesmo projeto, do mesmo símbolo.
Mas os
caldeus eram a cabeça de ouro. No quesito humanismo, isto é, no homem autônomo,
que não depende de Deus para suas definições da essência das coisas (existencialismo)
ou do valor moral das coisas (relativismo), os caldeus seguem insuperáveis.
Os grandes impérios
totalitários da história queriam, na verdade, imitar a glória de Babilônia. Mas
nunca conseguiram. Os projetos totalitários hodiernos são um pouco mais modestos.
Tentam imitar a glória de Roma, que era os pés de barro da estátua.
Uma
Questão Religiosa
O que eles têm
em comum é a adoração pelo poder. Uma vez que Deus tenha sido rejeitado, o
homem não conhece nenhum bem absoluto que deva buscar. Sem um bem absoluto, que
seja a referência para seus anseios e suas ações, o homem busca o próprio poder
como objetivo. Não o poder para isso ou aquilo, porque ele não possui um objetivo
real. Mas o poder pelo poder.
Por isso,
todo projeto de poder totalitário, que centraliza no estado todas as decisões
sobre todas as áreas da vida, é vaidade, nunca leva a solução nenhuma. Quando o
estado amplia seu poder, geralmente, a desculpa é de que se necessita combater
este ou aquele mal. Mas quando o poder é ampliado, o único objetivo da ampliação
era a mera ampliação em si. É uma questão religiosa. Os adoradores do poder
buscam seu deus, assim como os adoradores de Jesus buscam Jesus. Nós queremos
mais do Senhor Jesus, eles querem mais poder.
Deus Tem Um
Propósito Para Os Ímpios Na História
O mais inquietante
de tudo isto, contudo, é o fato de que Deus diz, “suscito os caldeus” (6). Como?
Por quê? Por qual razão Deus suscitaria um povo tão leviano e vaidoso, isto é,
por que Deus os levantaria e deixaria que prosperassem, mesmo que apenas temporariamente?
Parece que
crentes ou descrentes, conscientes disto ou inconscientes disto, os caldeus
tinham um propósito na história que estava muito além do que eles podiam
imaginar, e muito além do que suas vítimas podiam imaginar. E isto Habacuque tenta
desvendar em seu livro.
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