Introdução
A CNN noticiou que um museu de arte moderna na Dinamarca está expondo quadros vazios, literalmente vazios. A notícia na íntegra pode ser lida aqui. O fato é que eles encomendaram uma obra que nada mais seria do que cédulas de dinheiro afixadas em dois quadros com o nome de "salário anual médio de um austríaco e de um dinamarquês". Eles emprestaram o dinheiro ao artista, mas o artista decidiu ficar com o dinheiro e entregar o quadro vazio. O museu decidiu expor o quadro vazio como obra de arte – eles realmente entenderam isso como uma manifestação artística legítima – e cobrar o dinheiro apenas quando a exposição terminar. O quadro agora se chama, “Pegue o dinheiro e corra”.
O circo
A cena é
toda cômica. Nada nisso parece sério. A única pessoa que deve estar preocupada
com o imbróglio deve ser o dono do dinheiro, mas tudo indica que o dinheiro é
público, o que faz da questão uma terra de ninguém.
Então, o
museu encomenda como arte um quadro com dinheiro emoldurado no valor de um
salário médio de um dinamarquês, algo que qualquer aluno da quinta série
poderia fazer por um preço muito mais acessível e com um risco menor para o
dinheiro público, já que o aluno de quinta série provavelmente pegaria menos cédulas
para uso próprio.
O artista aceita
a proposta e rouba o dinheiro para si mesmo e não pretende devolver. Ele faz do
roubo uma obra de arte.
O museu
aceita a ideia de que o roubo foi uma arte e expõe os quadros vazios com uma carta
do artista explicando suas razões para não colocar o dinheiro no quadro.
Ricaços
globalistas
Tudo isso é
ridículo, absurdo, idiota. Mas o mais cômico será descobrir daqui a alguns
meses, porque há grandíssimas chances de isso acontecer, que algum ricaço globalista
pseudointelectual comprou os quadros por alguns milhões de euros. E são esses
ricaços globalistas que querem nos dominar...
O lado
bom de tudo isso
Mas há um
lado bom nisso. A arte moderna ganhou fama entre nós brasileiros por suas
profanidades, sem-vergonhices e aberrações pornográficas. Mas se nossos
artistas modernos começarem a seguir o exemplo de seus mestres europeus, eles começarão
a expor molduras vazias e, quem sabe, se a evolução seguir seu curso, um dia
farão exposições de quadros e molduras invisíveis, o que nos poupará finalmente
de suas parvoíces, embora, com certeza, não nos poupará dos gastos e
desperdícios de dinheiro público em suas “obras de arte”.
Por que a
arte é importante?
O que faz
isto ser importante? Ou, melhor dizendo, isto tem qualquer importância que
seja? Eu acredito que sim.
A arte
moderna, em geral, parte do pressuposto de que a beleza é relativa, em
absoluto, isto é, não existe algo que se possa chamar de belo em si mesmo. Toda
a beleza depende do ponto de vista, da pessoa que olha, de seus gostos e
desejos. Assim, uma obra de arte é arte se o artista a chamar de arte. A essência
da arte está no artista não na obra. Ela é subjetiva.
Mas eu
acredito que esse pressuposto está errado. E eu acredito nisso porque a beleza
não está nos olhos de quem vê, como se costuma dizer por aí. A beleza é um
valor transcendental. Deus é o padrão absoluto de beleza. A beleza de todas as
suas criaturas é dádiva do Deus que as criou.
A apreciação
da beleza é a apreciação daquilo que há de belo na criação conforme ela recebeu
do Criador. A arte é a tentativa humana de captar e transmitir essa beleza.
Nesse sentido, não podemos chamar de arte um quadro vazio, porque ele não expressa
beleza alguma. Não expressa porque não capta. Não capta porque não acredita que
haja alguma beleza lá fora para ser captada.
Mas a beleza
está aí, colocada por Deus. Negá-la é negar a visão, abraçar a cegueira.
Abraçando
a cegueira
A causa da
cegueira é o pecado. O pecado priva o homem da glória de Deus, e a beleza de
Deus é glória de Deus, tanto quanto Sua justiça, Sua santidade, Seu amor, Sua
sabedoria, Sua infinitude. O pecado priva o homem da glória de Deus e,
portanto, priva o homem da beleza.
Chamar a feiúra
de arte é uma forma de abraçar a cegueira e chamar um quadro vazio de arte é
uma forma de negar a visão, isto é, de negar que haja alguma beleza para ser
vista.
Cura da
cegueira
Ser salvo do
pecado é ser salvo da cegueira e, portanto, é ter os olhos abertos para a beleza.
A beleza está em Deus e Deus colocou beleza em Sua criação porque Deus dá
daquilo que Deus tem. Parte do processo de santificação é ser grato a Deus por
todas as coisas belas e boas que Ele nos deu. A ingratidão nega a beleza da dádiva.
O coração grato recebe e se alegra.
Arte
crítica
A arte é por
muitos considerada boa quando é crítica. Para ser crítica ela precisa manifestar
o que há de feio, de horroroso, de monstruoso no mundo. Ela precisa negar a
beleza da criação, a bondade de Deus na criação. Tudo sempre tem segundas
intenções, nada é verdadeiro, justo. Tudo é malícia, traição, mentira, engano,
roubo, estupro. Ser grato é ser infantil. Ser artista é ser ingrato. É negar a
beleza da dádiva.
Gratidão
Mas o
cristão teve as vendas do pecado retiradas de seus olhos. Pela graça de Deus, o
homem novamente nascido enxerga a beleza de Deus refletida em Sua criação. Por
isso, é grato a Deus, e seu coração exulta e seu alegra.
A cosmovisão
cristã é a única que realmente enxerga o mundo como ele é. E quando ela abre os
olhos ela vê um mundo criado por Deus, cheio de provas de Sua existência, de
marcas de sua glória e de dádivas de Sua graça. Mundo caído, sim, pelo pecado.
Mas, ainda, mundo criado por Deus.
Quando o cristianismo, pelo Espírito Santo, terminar seu trabalho de desvendar a glória de Deus aos olhos do mundo caído, o conhecimento da glória do Senhor terá coberto a terra como as águas cobrem o mar (Hc 2.14).
Comentários
Postar um comentário