Rodrigo Bibo: Porque O Brasil Será, Sim, De Jesus

Existem coisas que fazem sentido num primeiro momento e depois se revelam completamente contraditórias e merecedoras de correção. Existem também coisas que parecem excelentes ideias quando pensamos nelas, mas depois se revelam tolices sem sentido quando tentamos colocá-las em prática. De fato, Salomão já dizia no seu célebre livro de Provérbios que a pessoa parece justa quando apresenta a sua própria causa, mas depois vem o seu próximo e a examina (Pv 18.17).


O apresentador, Rodrigo Bibo, publicou recentemente uma mensagem em que ele prega que o Brasil não será de Jesus e que essa ideia de que uma nação possa ser cristã é um mito. A pregação pode ser encontrada aqui. E eu acredito que essa seja uma daquelas ideias que quando forem testadas pela dureza da realidade não serão aprovadas.


Eu não pretendo aqui fazer uma crítica ponto a ponto e minuciosa de tudo ou qualquer coisa que Rodrigo Bibo possa ter dito nessa mensagem. Nem quero passar julgamento no caráter ou no ministério dele. Mas gostaria de tratar sobre o tema da mensagem, isto é, eu gostaria de perguntar para as Escrituras se realmente é verdade que o Brasil não será uma nação cristã e se é verdade que a ideia de que uma nação possa se converter a Cristo é um mito e deve ser abandonada.


Devo notar logo de início que a palavra mito aqui está sendo usada no sentido mais popular de mentira, bobagem, ideia sem valor para a realidade.


Pois, vejamos, tenho várias razões para acreditar que o Brasil será, sim, de Jesus e que nações inteiras, incluindo a nossa, irão se converter a Cristo, se prostrar diante dele e glorificar o seu nome como Filho Unigênito do Pai. Também tenho razões para acreditar que isso, além de não ser uma mentira, uma bobagem, uma ideia sem sentido, sem valor, sem conexão com a realidade, é, de fato, uma promessa de Deus e, portanto, uma necessidade histórica. Ou seja, é necessário que aquilo que Deus disse que iria acontecer aconteça. E se Deus tiver dito, como eu acredito que, de fato, disse, que as nações virão e se prostrarão perante ele e o adorarão, então isso necessariamente tem de acontecer.


Bom, isso eu disse, agora tenho que provar. E as minhas provas na verdade estão por toda a Bíblia. Não tenho dificuldade em encontrar provas e mais provas a respeito disso, desde Gênesis, passando por Êxodo e todo o Pentateuco, mesmo nos Salmos. Sim, os Salmos são fartos de promessas e promessas para as nações e sobre as nações, não só de juízo, mas também de salvação. E, quando chegamos no Novo Testamento, mesmo nos evangelhos, nas cartas ou no livro de Apocalipse. E não estou falando aqui de textos desconectados de seu contexto, mas corretamente interpretados em seu próprio lugar e colocados diante de nós pelo Espírito Santo para nossa fé e confiança.


Confiança de que o nosso trabalho no Senhor não é vão. De que há uma recompensa e de que os propósitos do Senhor não serão frustrados. De que não pregamos ao vento, mas que o Espírito, que ninguém sabe de onde vem nem para onde vai, exceto que é o próprio Deus, move a vida das pessoas, não apenas para salvar indivíduos, mas famílias e nações.


Em Gênesis 12.1, quando Deus chama a Abraão, Ele lhe disse: “Sê tu uma benção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Em ti serão benditas todas as famílias da terra.” O propósito de Deus para as nações, portanto, já começava a ser revelado no chamado do próprio patriarca da fé, no primeiro livro da Bíblia.


Mesmo em Êxodo 19.5, Deus, ao declarar Israel como seu povo, diz que eles são sua propriedade peculiar, dizendo: “Porque toda a terra é minha”, ou seja, todas as nações pertencem ao Senhor. Israel seria dele um povo particular, peculiar, com uma relação especial. Mas quanto a pertencer a Deus, toda a terra é dele.


Esses dois tipos de textos nos falam sobre a base daquilo que se tornará a promessa de conversão e salvação das nações, pois, agora, nós já sabemos que Deus tem um propósito de abençoar todas as famílias da terra e que toda a terra pertence, de alguma forma, ao Senhor. No Salmo 2.7,8, isso vai ficando cada vez mais claro, pois, ali, temos Deus Pai falando com Deus Filho e dizendo para Ele: “pede-me e Eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por Tua possessão”. Falando assim, o Senhor nos diz do tempo em que seu Filho Jesus Cristo tomará para si o governo das nações. E nós cremos que, de fato, Jesus pediu ao Pai todas as nações e não só algumas delas. Sabemos que o Senhor jamais cometeria o erro que aquele rei de Israel cometeu ao, incitado por Deus por meio da boca do profeta a ferir a terra com suas flechas, atirou apenas três flechas e, depois, foi repreendido pelo Senhor por não ter atingido a terra com mais flechas (2 Rs 13.18). Se Deus Pai diz a Deus Filho que lhe peça as nações da terra por herança, o Senhor Jesus jamais cometeria o erro de se esquecer de pedir alguma delas.


Contudo, não leva muito mais tempo para que a promessa se torne completamente clara nas Escrituras. Logo no Salmo 22.27 encontramos a seguinte promessa respeito das nações da terra: “Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; e todas as famílias das nações adorarão perante a tua face.” Aqui, claramente, o Senhor promete, não só que as nações se prostrarão perante ele, mas que elas se converterão a Ele. Todas elas.


A isto responde o Salmo 67: “Seja Deus gracioso para conosco e nos abençoe e faça resplandecer sobre nós o rosto. Para que se conheça na terra o teu caminho e em todas as nações a tua salvação. Louvem-te os povos, ó Deus, louvem-te os povos todos. Alegrem-se e exultem as gentes, pois julgas os povos com equidade e guias na terra as nações.”


A primeira versão da grande comissão encontramos em Mateus 28.19 que diz: “Ide, portanto, fazei que todas as nações se tornem meus discípulos, batizando-as em nome do Pai, o Filho e do Espírito Santo”. Agora sabemos não só que há uma promessa, mas que Deus pretende cumprir essa promessa usando o esforço da igreja para evangelizar as nações e ensiná-las a obedecer a Palavra do Senhor.


Pelo menos é isso que o apóstolo Paulo parece ter entendido pois pregou até onde pôde em seu tempo (Rm 15.19) e mesmo diante de reis e homens poderosos não escondeu o evangelho, antes pregou para reis (At 26.19) e até mesmo algumas autoridades se converteram (At 13.12).


Mas, então, alguém poderia dizer que essas promessas a respeito das nações convertidas a Cristo, prostradas perante Ele, O adorando, não se referem ao período da história e sim a eternidade e que, portanto, não devemos esperar pelo cumprimento dessas promessas neste mundo, senão no mundo porvir. Nesse caso, contudo, me pergunto se talvez pensar assim não é ignorar o poder de Deus que opera em nós para cumprir o propósito de Cristo ordenado na Grande Comissão. Isto é, será possível que na eternidade é que faremos discípulos e na eternidade é que batizaremos as nações e na eternidade é que as ensinaremos a obedecer todas as coisas que o Senhor tem nos ordenado? Eu duvido que haverá espaço na eternidade para essas coisas, pois esta é a hora, este é o momento e este é o lugar. É agora que as nações precisam se converter. É agora que elas precisam ser batizadas. É agora que elas precisam aprender a obedecer ao Senhor para que possam entrar na eternidade com os benditos do Senhor. Se devemos esperar a conversão das nações no período da eternidade, então, temos que acreditar que na eternidade haverá pessoas que precisam se converter, o que não faz o menor sentido.


Mas existe uma questão ainda mais profunda e terrível. Se acreditarmos que a conversão das nações a Cristo é um mito irrealizável e que não há razões para acreditar que algum dia o Brasil ou qualquer outra nação será, de fato, de Jesus, então, temos que acreditar que Deus Pai não ouviu a oração de Jesus e não deu a ele as nações que disse que ia dar no Salmo 2.7. E se Deus Pai não ouviu a oração de Deus Filho, por que acreditar que Ele ouviria a minha oração ou a de qualquer outra pessoa, nós que não somos nem Deus?


É impossível, é blasfemo até, pensar que Deus Pai não ouviria a oração de seu Santo Filho Jesus Cristo. No entanto, não temos com que nos preocupar, na realidade, porque Deus Pai ouviu a oração de Deus Filho e, por isso, sabemos que Ele ouve a nossa oração quando oramos no nome de Jesus.


Nações já se converteram, nações já se desviaram e nações se converterão novamente. Eu oro para que o Brasil seja dessas nações que voltam aos pés do Senhor e se arrependem nacionalmente de seus pecados e se convertem ao Senhor e se prostram diante Dele para o adorar.


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