ARTIGOS DE RELIGIÃO METODISTAS. A.D. 1784.

ARTIGOS DE RELIGIÃO METODISTAS. A.D. 1784.

[Os Vinte e Cinco Artigos de Religião foram elaborados por John Wesley para os Metodistas Americanos e adotados em uma Conferência em 1784. Eles passaram por algumas mudanças, principalmente verbais, e o Artigo 23, que reconhece a soberania do povo dos Estados Unidos, foi adotado pela Igreja Metodista Episcopal em 1804.]

I. DA FÉ NA SANTÍSSIMA TRINDADE.
Há apenas um Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo ou partes, de infinito poder, sabedoria e bondade; o Criador e Preservador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três pessoas, de uma só substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

II. DO VERBO, OU FILHO DE DEUS, QUE SE FEZ VERDADEIRO HOMEM.
O Filho, que é o Verbo do Pai, verdadeiro e eterno Deus, de uma substância com o Pai, assumiu a natureza humana no ventre da bem-aventurada Virgem; de modo que duas naturezas inteiras e perfeitas, a saber, a Divindade e a humanidade, foram unidas em uma só pessoa, que jamais será dividida, sendo um só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que verdadeiramente sofreu, foi crucificado, morto e sepultado, para reconciliar seu Pai conosco e ser um sacrifício não apenas pela culpa original, mas também pelos pecados reais dos homens.

III. DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO.
Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e reassumiu seu corpo, com todas as coisas pertencentes à perfeição da natureza humana, com o qual subiu ao céu e ali está sentado até que retorne para julgar todos os homens no último dia.

IV. DO ESPÍRITO SANTO.
O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é da mesma substância, majestade e glória com o Pai e o Filho, verdadeiro e eterno Deus.

V. DA SUFICIÊNCIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS PARA A SALVAÇÃO.
As Sagradas Escrituras contêm todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que não está nelas, nem pode ser provado por elas, não deve ser exigido de ninguém como artigo de fé, nem considerado necessário para a salvação. Por Sagradas Escrituras, entendemos aqueles livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento, cuja autoridade nunca foi questionada na Igreja. Os nomes dos livros canônicos são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, O Primeiro Livro de Samuel, O Segundo Livro de Samuel, O Primeiro Livro de Reis, O Segundo Livro de Reis, O Primeiro Livro de Crônicas, O Segundo Livro de Crônicas, O Livro de Esdras, O Livro de Neemias, O Livro de Ester, O Livro de Jó, Os Salmos, Os Provérbios, Eclesiastes ou o Pregador, Cântico dos Cânticos, Quatro Profetas Maiores, Doze Profetas Menores. Todos os livros do Novo Testamento, como são comumente aceitos, nós recebemos e consideramos canônicos.

VI. DO ANTIGO TESTAMENTO.
O Antigo Testamento não é contrário ao Novo; pois tanto no Antigo quanto no Novo Testamento a vida eterna é oferecida à humanidade por meio de Cristo, que é o único Mediador entre Deus e os homens, sendo Deus e Homem. Portanto, não devem ser ouvidos aqueles que fingem que os antigos pais esperavam apenas promessas transitórias. Embora a lei dada por Deus por meio de Moisés, no que diz respeito a cerimônias e ritos, não vincule os cristãos, nem os preceitos civis dela devam ser necessariamente recebidos em qualquer nação, todavia, nenhum cristão está livre da obediência aos mandamentos que são chamados morais.

VII. DO PECADO ORIGINAL OU DE NASCENÇA.
O pecado original não consiste em seguir Adão (como os Pelagianos falam em vão), mas é a corrupção da natureza de cada homem, que naturalmente é gerado da descendência de Adão, pelo que o homem está muito distante da justiça original e, por sua própria natureza, inclinado ao mal continuamente.

VIII. DO LIVRE ARBÍTRIO.
A condição do homem após a queda de Adão é tal que ele não pode, por sua própria força natural e obras, se preparar para ter fé e invocar a Deus; portanto, não temos poder para fazer boas obras, agradáveis e aceitáveis a Deus, sem a graça de Deus por Cristo, que nos previne, para que possamos ter boa vontade, e trabalha em nós, quando temos essa boa vontade.

IX. DA JUSTIFICAÇÃO DO HOMEM.
Somos considerados justos diante de Deus somente pelos méritos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pela fé, e não por nossas próprias obras ou merecimentos. Portanto, o fato de sermos justificados somente pela fé é uma doutrina muito salutar e cheia de conforto.

X. DAS BOAS OBRAS.
Embora as boas obras, que são frutos da fé e seguem a justificação, não possam afastar nossos pecados, nem suportar a severidade dos julgamentos de Deus; contudo, são agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo, e brotam de uma fé verdadeira e viva, tanto que por elas uma fé viva pode ser tão evidentemente conhecida como uma árvore é discernida por seu fruto.

XI. DAS OBRAS DE SUPRA ROGAÇÃO.
As obras voluntárias — além, e acima dos mandamentos de Deus — que são chamadas obras de supra rogação, não podem ser ensinadas sem arrogância e impiedade. Pois por elas os homens declaram que não só rendem a Deus tanto quanto estão obrigados a fazer, mas que fazem mais por Ele do que o dever exige: ao passo que Cristo diz claramente: Quando tiverdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos servos inúteis.

XII. DO PECADO APÓS A JUSTIFICAÇÃO.
Nem todo pecado cometido voluntariamente após a justificação é o pecado contra o Espírito Santo, e imperdoável. Portanto, a concessão de arrependimento não deve ser negada àqueles que caem em pecado após a justificação: depois de termos recebido o Espírito Santo, podemos nos afastar da graça concedida, e cair em pecado, e, pela graça de Deus, levantar-nos novamente e emendar nossas vidas. E, portanto, devem ser condenados aqueles que dizem que não podem mais pecar enquanto viverem aqui; ou negam o lugar do perdão para os que verdadeiramente se arrependem.

XIII. DA IGREJA.
A Igreja visível de Cristo é uma congregação de homens fiéis, na qual a pura Palavra de Deus é pregada, e os sacramentos devidamente administrados, de acordo com a ordenança de Cristo, em todas aquelas coisas que são necessariamente requeridas para a sua realização.

XIV. DO PURGATÓRIO.
A doutrina romana concernente ao purgatório, perdão, adoração e veneração, tanto de imagens quanto de relíquias, e também a invocação dos santos, é uma coisa tola, inventada em vão, e sem fundamento na Escritura, mas repugnante à Palavra de Deus.

XV. DO USO DA LÍNGUA QUE O POVO ENTENDE NA CONGREGAÇÃO.
É algo claramente contrário à Palavra de Deus, e ao costume da Igreja primitiva, ter oração pública na Igreja, ou ministrar os sacramentos, em uma língua não entendida pelo povo.

XVI. DOS SACRAMENTOS.

Os sacramentos instituídos por Cristo não são apenas distintivos ou sinais da profissão cristã, mas são certos sinais da graça e da boa vontade de Deus para conosco, pelos quais Ele opera invisivelmente em nós, e não apenas vivifica, mas também fortalece e confirma nossa fé Nele. Existem dois sacramentos instituídos por Cristo nosso Senhor no Evangelho, a saber: o Batismo e a Ceia do Senhor. Aqueles cinco que comumente são chamados sacramentos, a saber, confirmação, penitência, ordens, matrimônio e unção dos enfermos, não devem ser considerados como sacramentos do Evangelho, pois surgiram em parte de uma corrupção da imitação dos apóstolos; e em parte são estados de vida permitidos nas Escrituras, mas que não possuem a mesma natureza do Batismo e da Ceia do Senhor, pois não têm qualquer sinal ou cerimônia visível ordenados por Deus. Os sacramentos não foram instituídos por Cristo para serem observados passivamente ou para serem carregados de um lado para outro, mas para que os utilizemos devidamente. E somente para aqueles que os recebem dignamente, os sacramentos produzem um efeito ou operação salutar; mas aqueles que os recebem indignamente trazem para si condenação, como diz São Paulo em 1 Coríntios 11:29.

XVII. DO BATISMO.

O Batismo não é apenas um sinal de profissão e um marco de distinção, pelo qual os cristãos são diferenciados dos outros que não são batizados; mas também é um sinal de regeneração, ou do novo nascimento. O batismo de crianças pequenas deve ser mantido na Igreja.

XVIII. DA CEIA DO SENHOR.

A Ceia do Senhor não é apenas um sinal do amor que os cristãos devem ter uns pelos outros, mas é, antes, um sacramento de nossa redenção pela morte de Cristo; tanto que, para aqueles que o recebem corretamente, dignamente e com fé, o pão que partimos é uma participação do corpo de Cristo; e, da mesma forma, o cálice de bênção é uma participação do sangue de Cristo. A transubstanciação, ou a mudança da substância do pão e do vinho na Ceia do Senhor, não pode ser provada pela Sagrada Escritura, mas é contrária às claras palavras da Escritura, anula a natureza de um sacramento e deu origem a muitas superstições. O corpo de Cristo é dado, tomado e comido na Ceia somente de uma maneira celestial e espiritual. E o meio pelo qual o corpo de Cristo é recebido e comido na Ceia é a fé. O sacramento da Ceia do Senhor não foi, por ordenança de Cristo, reservado, carregado, elevado ou adorado.

XIX. DAS DUAS ESPÉCIES.

O cálice do Senhor não deve ser negado ao povo leigo; pois as duas partes da Ceia do Senhor, pela ordenança e mandamento de Cristo, devem ser ministradas igualmente a todos os cristãos.

XX. DA ÚNICA OBLAÇÃO DE CRISTO, CONCLUÍDA NA CRUZ.

A oferta de Cristo, uma vez feita, é aquela redenção perfeita, propiciação e satisfação por todos os pecados do mundo inteiro, tanto original quanto atuais; e não há outra satisfação pelo pecado, senão essa única. Portanto, o sacrifício das missas, no qual comumente se diz que o sacerdote oferece Cristo pelos vivos e pelos mortos, para obter remissão de pena ou culpa, é uma fábula blasfema e um engano perigoso.

XXI. DO CASAMENTO DOS MINISTROS.

Os ministros de Cristo não são obrigados pela lei de Deus a fazer voto de celibato ou a abster-se do casamento; portanto, é lícito para eles, assim como para todos os outros cristãos, casar-se a seu próprio critério, conforme julgarem que isso serve melhor à piedade.

XXII. DOS RITOS E CERIMÔNIAS DAS IGREJAS.

Não é necessário que os ritos e cerimônias sejam os mesmos em todos os lugares, ou exatamente iguais; pois sempre foram diferentes, e podem ser alterados de acordo com a diversidade de países, épocas e costumes dos homens, desde que nada seja ordenado contra a Palavra de Deus. Aquele que, por seu julgamento privado, voluntária e propositadamente, quebra abertamente os ritos e cerimônias da Igreja à qual pertence, que não são contrários à Palavra de Deus e são ordenados e aprovados pela autoridade comum, deve ser repreendido abertamente, para que outros temam fazer o mesmo, como alguém que ofende a ordem comum da Igreja e fere a consciência de irmãos fracos. Cada Igreja particular pode ordenar, mudar ou abolir ritos e cerimônias, para que tudo seja feito para edificação.

XXIII. DOS GOVERNANTES DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA.

O Presidente, o Congresso, as Assembleias Gerais, os Governadores e os Conselhos de Estado, como delegados do povo, são os governantes dos Estados Unidos da América, de acordo com a divisão de poder que lhes foi concedida pela Constituição dos Estados Unidos e pelas Constituições de seus respectivos Estados. E os referidos Estados são uma nação soberana e independente, e não devem estar sujeitos a nenhuma jurisdição estrangeira.

XXIV. DOS BENS DOS HOMENS CRISTÃOS.

As riquezas e os bens dos cristãos não são comuns no que diz respeito ao direito, título e posse deles, como alguns falsamente alardeiam. Não obstante, todo homem deve, do que possui, dar esmolas generosamente aos pobres, conforme suas possibilidades.

XXV. DO JURAMENTO DO CRISTÃO.

Assim como confessamos que o juramento vão e temerário é proibido aos cristãos por nosso Senhor Jesus Cristo e por Tiago, seu apóstolo, também julgamos que a religião cristã não proíbe que um homem jure quando o magistrado o exige, em uma causa de fé e caridade, desde que seja feito de acordo com o ensinamento do profeta, em justiça, juízo e verdade.

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